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Visão computacional

Como medir o tempo de ciclo de um posto com câmera

Medir o tempo de ciclo com câmera troca algumas dezenas de cronometragens por todos os ciclos do turno. Este guia explica como funciona, onde ajuda e onde não se aplica.

João Pedro Fiorin7 min de leitura
Operadores em postos de montagem com quadros de detecção desenhados sobre cada pessoa
Cada posto marcado pela câmera, base para medir o tempo de cada ciclo.

Para medir automaticamente o tempo de ciclo de um posto de trabalho, uma câmera observa o posto e o algoritmo detecta o início e o fim de cada etapa, registrando o tempo de todos os ciclos do turno. O resultado é comparado com o tempo padrão. A câmera substitui a coleta feita com cronômetro, mas não substitui a análise de métodos, que continua sendo trabalho de engenharia.

O que é tempo de ciclo?

É o tempo que o posto leva para completar uma unidade de trabalho, do início ao fim. Ele é a base do cálculo da capacidade de uma linha, do balanceamento entre postos e do desempenho do OEE. Medi-lo bem é o ponto de partida de qualquer melhoria de processo.

Não se confunde com o takt time, que é o ritmo exigido pela demanda (o tempo disponível dividido pela quantidade a entregar), nem com o lead time, o tempo total da peça pelo processo. Quando o tempo de ciclo de um posto é maior que o takt time, esse posto é o gargalo. Os termos têm verbete no glossário, em tempo de ciclo e takt time.

Como a câmera detecta início e fim de uma etapa?

Reconhecendo um evento visível que marca a etapa: a peça entrando no posto, a mão do operador pegando um componente, a máquina fechando. O método de detecção é definido para cada posto, conforme o que marca cada etapa na imagem. O algoritmo registra a hora de cada evento e calcula a duração. Os métodos mais usados são a entrada e a saída de uma peça ou de uma mão numa zona demarcada da imagem, a mudança de estado de um objeto (a tampa fechada, o conector encaixado) e o reconhecimento da sequência de movimentos. O que o sistema guarda são eventos com carimbo de tempo, e o relógio dos dispositivos precisa estar sincronizado para que os tempos de postos diferentes possam ser comparados.

O que a câmera mede melhor que o cronômetro?

A amostra inteira. A cronometragem manual mede algumas dezenas de ciclos com um observador presente, o que pode alterar o ritmo de quem trabalha. A câmera mede o turno inteiro, sem observador, e mostra a variação real: os ciclos mais lentos, as etapas que oscilam e as diferenças entre turnos. A amostra mínima do cronômetro cresce com a variabilidade do posto, e a engenharia de métodos calcula esse tamanho: quanto mais irregular o ciclo, mais ciclos são necessários. A câmera dispensa o cálculo, porque mede todos.

Isto é cronoanálise industrial automatizada?

Sim, no que diz respeito à coleta. Cronoanálise industrial automatizada, cronoanálise por câmera e medição automática de tempo de ciclo descrevem a mesma coisa: o registro do tempo de cada etapa feito pela imagem, em vez do cronômetro. O que a câmera não faz é o estudo de tempos e movimentos em si, nem a consultoria de engenharia de métodos. A análise de tempos de operação, a definição do tempo padrão e a decisão de reorganizar o posto continuam com a engenharia. A câmera entrega a medição do tempo de cada etapa, de todos os ciclos, e a verificação de aderência ao padrão de cada posto. Quem procura consultoria de métodos precisa de outro serviço; quem precisa de dado confiável para essa análise encontra aqui o instrumento. O mesmo conjunto de câmeras também confere a sequência e a presença de componentes, tema de monitoramento de processo por câmera: montagem e sequência.

Como ler os dados de ciclo depois de coletados?

A média sozinha esconde o que importa. Dois postos com o mesmo tempo médio podem ter comportamentos opostos: um é regular, o outro alterna ciclos rápidos com ciclos muito longos. Por isso a leitura combina a média, a mediana e a distribuição dos tempos, e olha com atenção para a cauda de ciclos longos, onde estão as perdas. A segunda separação é entre o tempo de trabalho e o tempo de espera: um ciclo longo causado por falta de peça no posto anterior é problema de fluxo, e não de método do operador. Por fim, a abertura por etapa mostra qual parte do ciclo concentra a variação, e é nela que a engenharia de métodos deve concentrar o estudo. Sem essas três leituras, o dado de todos os ciclos vira só uma média mais cara.

Como o tempo de ciclo ajuda a achar o gargalo?

Comparando o tempo de ciclo de cada posto com o takt time. O posto cujo ciclo real fica acima do takt é o que limita a saída da linha, e só ele vale a pena atacar primeiro: reduzir o ciclo de um posto que já é mais rápido que o takt não aumenta a produção. Com a medição de todos os ciclos, o gargalo deixa de ser uma impressão da equipe e passa a ser um número por turno, e é possível ver se ele muda de posto conforme o produto ou o dia. A decisão de como reduzir o ciclo, seja rebalanceando tarefas, seja melhorando o posto, é da engenharia do cliente. A câmera entrega a evidência de onde olhar.

Quais postos são indicados?

Os que têm etapas visíveis e repetitivas, como montagem, embalagem e operação de máquina com ciclo definido. Não são indicados os postos em que a câmera não enxerga a ação, ou em que o trabalho é tão variável que não há etapas reconhecíveis.

Qual a tabela de comparação?

Aspecto Cronometragem manual Medição por câmera
Amostra Algumas dezenas de ciclos Todos os ciclos do turno
Observador no posto Sim Não
Custo recorrente Horas de cronometrista Sem hora de coleta
Definição do tempo padrão Engenharia de métodos Engenharia de métodos

Como validar a medição?

Antes de a medição valer como registro, ela é comparada com a cronometragem manual do mesmo posto. Cronometra-se um número de ciclos com cuidado, mede-se os mesmos ciclos por câmera e compara-se, evento por evento. A diferença aceitável é combinada antes, em função da duração do ciclo e do uso do dado. Se a diferença for maior que a tolerância, ajusta-se o método de detecção do evento, e não o critério. A disciplina é a mesma de como validar um sistema de visão computacional.

Como tratar a imagem dos trabalhadores?

O objetivo é medir o processo, e não avaliar pessoas. O desenho recomendado processa a imagem no local, guarda os tempos por etapa, posto e turno, e informa os trabalhadores sobre a câmera e a finalidade. A imagem de uma pessoa é dado pessoal e a LGPD se aplica; o artigo EPI por câmera e LGPD trata dos cuidados equivalentes.

Como o tempo de ciclo alimenta o OEE?

O tempo de ciclo real, comparado com o ideal, é a base do fator desempenho do OEE. Medi-lo para todos os ciclos mostra onde a linha perde velocidade sem parar. A conta está na calculadora de OEE, e um turno calculado passo a passo, em OEE em tempo real: a conta que mostra onde a sua linha perde. O tempo de ciclo medido também alimenta a meta e o ritmo exibidos nas telas do chão de fábrica, tema de andon e gestão à vista: o que mostrar na tela da fábrica, e a contagem das peças do posto pode ser feita pela mesma câmera, como compara contagem automática de peças.

Perguntas frequentes

Como medir automaticamente o tempo de ciclo de um posto de trabalho?

Uma câmera observa o posto e o algoritmo identifica o início e o fim de cada etapa do ciclo, registrando o tempo de todos os ciclos do turno. O resultado é comparado com o tempo padrão, e as variações aparecem por etapa, operador ou turno, sem cronometrista. O método de detecção é definido para cada posto.

A câmera substitui o cronometrista?

Substitui a coleta, não a análise. A câmera mede todos os ciclos, sem viés do observador, mas a definição do tempo padrão, o estudo de métodos e a decisão de mudar o posto continuam sendo trabalho de engenharia. O ganho está em decidir com a amostra completa, e não com algumas dezenas de medições.

Qual a precisão da medição por câmera?

Depende do posto e da qualidade da imagem. A medição é validada contra a cronometragem manual no próprio posto antes de ser adotada, e só então passa a valer como registro. Não existe um número único de precisão: ele é medido para cada posto, e o resultado da validação acompanha a proposta.

Isso serve para avaliar cada operador?

O objetivo da medição é o processo, e não a avaliação individual. O desenho recomendado guarda os tempos por etapa, posto e turno, sem identificar a pessoa. Qualquer uso diferente do dado envolve a LGPD e o relacionamento com os trabalhadores, e deve passar pelo jurídico da empresa.

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A ELVEX avalia o posto, define como o início e o fim de cada etapa serão detectados e valida contra a cronometragem manual.