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Visão computacional

Como validar um sistema de visão computacional

Um sistema de visão só vale o que a validação mostrar. Este guia explica as duas taxas que importam, como montar a amostra e o que exigir antes de comprar.

João Pedro Fiorin7 min de leitura
Linha de envase de garrafas com quadros de detecção marcando as peças na esteira
Quadros sobre as garrafas na esteira: o que o sistema reconhece em cada peça.

Validar um sistema de visão computacional é medir, em peças reais da sua linha, quantas vezes ele erra e de que forma. São duas taxas: o falso positivo, que é a peça boa rejeitada, e o falso negativo, que é a peça defeituosa aprovada. Um sistema só deve ser comprado depois de a prova de conceito mostrar essas duas taxas em uma amostra representativa, com o critério de aceite acordado antes.

Como as quatro respostas se organizam?

Cada peça cai em uma de quatro células, e as duas taxas saem delas:

Peça boa Peça defeituosa
Sistema aprova Acerto Falso negativo (o escape)
Sistema rejeita Falso positivo (a rejeição indevida) Acerto

O falso positivo é a fração das peças boas que foram rejeitadas, e o falso negativo é a fração das defeituosas que foram aprovadas. Uma taxa de acerto total esconde as duas. Se 1% das peças é defeituosa, um sistema que aprova tudo acerta 99% das vezes e não pega defeito nenhum. Por isso a validação reporta cada taxa separada, e o falso negativo por tipo de defeito.

O que é falso positivo?

É a peça boa que o sistema rejeita. Custa refugo e retrabalho desnecessários e, se for frequente, faz a operação desconfiar do sistema e passar a ignorá-lo. A taxa de falso positivo mostra o custo de um sistema rigoroso demais.

O que é falso negativo?

É a peça defeituosa que o sistema aprova. É o erro que chega ao cliente. Em geral, é o mais caro, e a validação trata de saber quão raro ele é para cada tipo de defeito, e não apenas na média.

Como montar a amostra de validação?

Com peças reais da linha, incluindo os defeitos reais, e em quantidade suficiente para cada tipo de defeito aparecer várias vezes. Defeito raro é o difícil: se ele quase não ocorre, é preciso reunir exemplos ao longo do tempo, ou produzi-los de propósito com cuidado para que representem o real. A amostra também deve cobrir a variação normal de peças boas, de lote, de turno e de luz.

Quantas peças defeituosas bastam?

Quando poucas peças defeituosas entram no teste, a taxa medida tem margem de incerteza grande. Se nenhuma das 100 peças defeituosas foi aprovada por engano, isso não prova um falso negativo zero: com 95% de confiança, a taxa real pode chegar a cerca de 3%. A regra dos três resume a conta, em que o limite superior é aproximadamente 3 dividido pelo número de peças testadas sem erro. Para sustentar um falso negativo abaixo de 1%, seriam necessárias cerca de 300 peças defeituosas sem nenhum escape. Esse é o motivo de o defeito raro ser o difícil, e de o critério de aceite ter de dizer qual risco é tolerável antes de o teste começar.

As peças do treinamento podem ser as do teste?

Não. As peças usadas para ensinar o sistema não servem para avaliá-lo, porque ele já as conhece, e a taxa medida sai otimista. A amostra de validação vem de lotes, turnos e dias diferentes dos do treinamento, e é guardada separada. É a mesma disciplina de qualquer medição honesta: o critério e a amostra de prova são fixados antes de o resultado aparecer.

Como definir o critério de aceite?

Antes do teste, com a qualidade, a produção e a engenharia. O critério diz quais taxas são aceitáveis e para qual defeito, e depende do custo de cada erro no processo. Definir depois do teste leva a ajustar o critério ao resultado, em vez de julgar o resultado.

Como o limiar de decisão muda as duas taxas?

O sistema não responde apenas "boa" ou "defeituosa": por trás da decisão há uma pontuação de confiança, e o limiar escolhido para rejeitar define o equilíbrio entre os dois erros. Um limiar mais rigoroso rejeita mais peças duvidosas, reduz o falso negativo e aumenta o falso positivo. Um limiar mais frouxo faz o inverso. Não existe ajuste que zere os dois ao mesmo tempo; existe o ponto que o custo de cada erro no seu processo justifica. Por isso a validação deve registrar as taxas no limiar escolhido e mostrar o que acontece quando ele muda, e o ajuste é feito com a amostra de validação já guardada, nunca com as peças do dia a dia sem registro.

Que peças o sistema deve mandar para uma terceira via?

Quando a pontuação fica perto do limiar, a decisão é incerta. Uma opção prática é criar uma faixa de dúvida em que a peça não é nem aprovada nem rejeitada automaticamente, e segue para conferência humana. Isso concentra a atenção do inspetor no que realmente é ambíguo, em vez de espalhá-la por todas as peças. O tamanho da faixa é parte do critério de aceite: faixa larga demais devolve o trabalho à pessoa, estreita demais devolve o risco ao processo. As peças dessa faixa também são um insumo de melhoria, porque, depois de classificadas pela qualidade, servem para refinar o critério do sistema.

O que a validação precisa registrar?

Item Para que serve
Tamanho e origem da amostra Mostrar se ela representa a linha
Defeitos incluídos, por tipo Saber o que foi de fato testado
Taxa de falso positivo Medir o custo do rigor
Taxa de falso negativo, por tipo de defeito Medir o risco que chega ao cliente
Condições do teste: luz, velocidade, posição Saber se o resultado vale na operação real

E depois da instalação?

O sistema deve ser acompanhado, porque a linha muda: lote novo, luz diferente, ferramenta desgastada. A taxa medida na prova de conceito é o ponto de partida; o acompanhamento mostra se ela se mantém. A inspeção visual automática e o retorno do investimento, em visão computacional na indústria: em quanto tempo se paga, completam a decisão. O que o sistema decide em cada peça, e por que a inspeção humana degrada ao longo do turno, está em inspeção por visão computacional: o mesmo critério em toda peça.

Isso vale para outras aplicações?

Vale, com a métrica adequada a cada uma. Na contagem, mede-se o erro sobre lotes de quantidade conhecida, como mostra contagem automática de peças. Na leitura de códigos e texto, mede-se a taxa de leitura com o produto real, na velocidade da linha, tema de OCR, código de barras, DataMatrix e QR Code. Na medição de tempo de ciclo, compara-se com a cronometragem manual do mesmo posto, em como medir o tempo de ciclo de um posto com câmera. Na detecção de EPI, as taxas de acerto convivem com as decisões de privacidade de EPI por câmera e LGPD. E, fora da visão, o mesmo método de critério escrito antes e medição por item aparece em como testar monitoramento antes de comprar e na régua de compra de monitoramento.

Antes de validar, é preciso especificar: as peças de um sistema de visão e as perguntas do levantamento estão em Inspeção por visão computacional: o mesmo critério em toda peça.

Perguntas frequentes

Como validar um sistema de visão computacional antes de comprar?

Com uma prova de conceito em amostra real da linha, que mede a taxa de falso positivo e a de falso negativo por tipo de defeito, nas condições reais de luz e de velocidade. O critério de aceite é combinado antes do teste. O sistema só deve ser comprado se as taxas medidas atenderem ao critério.

Qual taxa de acerto é boa?

Não existe um número único. Depende do custo de cada tipo de erro no seu processo: onde o defeito chega ao cliente e custa caro, o falso negativo precisa ser muito baixo, ainda que isso aumente o falso positivo. Desconfie de promessa de acerto sem a descrição da amostra e das condições do teste.

Quantas peças a amostra precisa ter?

O suficiente para que cada tipo de defeito apareça várias vezes e para cobrir a variação normal de peças boas. O número exato depende do defeito mais raro que importa. Por isso a prova de conceito começa pelo levantamento dos defeitos e pela reunião de exemplos, e não por um tamanho fixo de amostra.

O sistema precisa ser revalidado depois de instalado?

Sim, de forma periódica e quando algo muda na linha, como novo lote de matéria-prima, troca de iluminação ou ajuste de câmera. O acompanhamento compara as taxas atuais com as da prova de conceito. Se elas se afastarem, o sistema é recalibrado ou treinado com novos exemplos.

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Prova de conceito de inspeção visual com a sua peça

A ELVEX mede falso positivo e falso negativo em amostra real da linha antes de propor a instalação.