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Visão computacional

OCR, código de barras, DataMatrix e QR Code na indústria

Código ou texto? A escolha da leitura por câmera depende do espaço, da quantidade de dados e da qualidade da impressão. Este guia compara as quatro opções.

João Pedro Fiorin9 min de leitura
Código de barras impresso com numeração, fotografado de perto em ângulo
Código de barras e a numeração impressa logo abaixo, o que o sistema precisa ler.

Código de barras, DataMatrix, QR Code e OCR leem informação do produto por câmera, mas de formas diferentes. Os três códigos guardam dados em um padrão com correção de erro, e o OCR lê texto comum, como lote e validade. O código é mais confiável quando existe e está bem impresso; o OCR é a opção quando só há texto impresso no produto.

O que é o código de barras linear?

É o padrão de barras verticais que guarda uma sequência curta de números ou letras. É o mais difundido, lido por praticamente qualquer leitor, e serve bem para identificar produto e embalagem. Guarda pouco dado e ocupa uma área relativamente grande. Em embalagem de consumo, a numeração segue padrões como o GS1, que identifica o produto de forma única na cadeia.

O que é o DataMatrix?

É um código bidimensional, formado por uma matriz de pontos, que guarda muito dado em área muito pequena. Por isso é comum em peças e componentes, inclusive marcados diretamente na superfície. Tem correção de erro, o que permite a leitura mesmo com parte do código danificada. O padrão usual usa correção do tipo Reed-Solomon, e a marcação direta na superfície da peça, feita por laser, micropercussão ou jato de tinta, é uma das razões do seu uso em peças metálicas e plásticas. O termo tem verbete no glossário: DataMatrix.

O que é o QR Code?

Outro código bidimensional, que guarda mais dados em formato maior, com correção de erro. É comum em etiquetas e embalagens e pode conter uma sequência longa, como um endereço ou um conjunto de campos. O QR Code permite escolher o nível de correção de erro, entre quatro, trocando capacidade de dados por robustez.

O que é OCR?

Reconhecimento óptico de caracteres: a câmera lê o texto impresso como uma pessoa leria. É indicado para lote, validade e data de fabricação impressos por jato de tinta ou laser, quando não há código. Depende mais da qualidade da impressão e da imagem que os códigos, porque não tem correção de erro. Os casos difíceis são a fonte pontilhada do jato de tinta, o texto que varia de posição e o fundo com padrão. O OCR por aprendizado de máquina lida melhor com essa variação do que o OCR por modelo fixo de fonte, mas continua dependendo de uma boa imagem. O termo está no glossário, em OCR.

Qual a tabela de comparação?

Leitura Guarda Melhor para Cuidado
Código de barras Pouco dado Identificação de produto e embalagem Ocupa área maior e perde com impressão manchada
DataMatrix Muito dado em área pequena Peças e componentes Marcação com pouco contraste
QR Code Mais dado, formato maior Etiquetas e embalagens Baixa resolução de impressão
OCR Texto comum Lote e validade sem código Mais sensível a falha de impressão e reflexo

Como escolher?

Se o produto pode carregar um código e a marcação é viável, o código vence: é mais robusto. Se a área é pequena, o DataMatrix. Se há muito dado, o QR Code. Se só existe texto, o OCR. Quando a identificação precisa funcionar sem nenhuma marcação, a opção é reconhecer a peça pela imagem, tratada em identificação de peças por imagem.

Como a qualidade do código é medida?

A qualidade de impressão de um código pode ser graduada por norma: as séries ISO/IEC 15416, para código linear, e ISO/IEC 15415, para bidimensionais, dão uma nota de A a F, e a ISO/IEC TR 29158 trata da marcação direta na peça. Um verificador mede e dá a nota; um leitor só decodifica. Código com nota baixa ainda lê num dia bom e falha no pior, e por isso acompanhar a nota é um aviso antecipado de que a impressora ou o marcador precisa de manutenção, antes de o produto sair com o código ilegível.

Como a câmera e a iluminação são posicionadas para ler?

A leitura depende da imagem, e a imagem depende da luz. Códigos impressos em papel com tinta escura costumam ler bem com iluminação difusa e uniforme. Marcações diretas em metal, feitas por laser ou micropercussão, pedem uma técnica de luz específica, como a iluminação rasante, porque o contraste nasce do relevo e não da cor. Superfícies brilhantes ou embalagens plásticas pedem luz difusa ou polarizada para evitar o reflexo. A câmera é posicionada com o plano de leitura o mais perpendicular possível ao código, e o disparo é sincronizado com a passagem do produto, em geral por um sensor, com tempo de exposição curto o bastante para congelar o movimento. Esses parâmetros são definidos no levantamento e confirmados com o produto real, e não com uma amostra limpa de bancada.

O que o sistema faz quando a leitura falha?

A falha de leitura é um evento previsto no projeto, e não uma exceção. Existem três comportamentos possíveis, escolhidos conforme o risco do produto. O sistema pode rejeitar o item, quando o código ilegível significa que ele não pode seguir adiante. Pode desviá-lo para uma conferência manual, quando o custo da rejeição é alto. Ou pode registrar a falha e deixar passar, quando o objetivo é medir a taxa de leitura. Em todos os casos, o registro da falha, com imagem e horário, é a evidência que permite descobrir se a causa está na impressora, na iluminação ou no material, e a taxa de falha por turno e por lote funciona como indicador de manutenção da marcação.

O que fazer com a leitura?

Ler é metade do trabalho; a outra metade é conferir e registrar. O sistema compara o código ou o texto lido com o valor esperado da ordem de produção, rejeita ou sinaliza o que não confere e grava lote, posto e horário. É essa gravação que sustenta a rastreabilidade e que alimenta o ERP e o MES, como descreve MES, ERP e SCADA: diferenças e como se integram. A mesma câmera pode ainda inspecionar o produto, como em inspeção por visão computacional, e a taxa de leitura se mede com o método de como validar um sistema de visão computacional.

Como a leitura sustenta a rastreabilidade industrial?

Rastreabilidade industrial é saber qual item passou pelo processo, em que momento e com qual resultado, e poder reconstituir esse caminho depois. A câmera ajuda de duas formas: identifica o item (lê o código, o rótulo ou reconhece a peça) e registra o resultado da verificação, vinculado a essa identidade. O nível de detalhe é uma decisão de risco:

Nível O que identifica Quando se usa
Por lote Um conjunto produzido nas mesmas condições Alimentos, bebidas, embalagens, químicos
Por unidade Cada peça, com número de série ou código único Componentes técnicos, peças críticas, eletrônicos
Por processo O caminho do item entre as etapas Montagens com várias estações e registros de teste

Quanto mais fino o nível, maior o custo de marcação e de leitura, e por isso a decisão parte de uma pergunta: o que acontece se for preciso recolher um lote, e quão rápido o recolhimento precisa ser.

Na embalagem, a conferência automática de produtos verifica a cada unidade que o rótulo, a data, o lote e o fechamento batem com a ordem em produção; o erro de rótulo chega ao cliente com o produto, e a conferência na saída da rotuladora é a última chance de interceptá-lo. Quando a câmera conta e identifica na mesma passagem, o sistema grava quantas unidades de cada lote passaram (veja contagem automática de peças), e quando a inspeção acontece no mesmo ponto, o resultado de aprovado ou reprovado, com imagem e motivo, fica no registro daquele item. A peça sem código nenhum só pode ser identificada pela própria imagem, o que exige referências visualmente distintas; veja identificação de peças por imagem. O que o registro precisa ter para valer em auditoria está em monitoramento de câmara fria: alerta a tempo e registro auditável.

A rastreabilidade por câmera falha em três lugares além da impressão: na ruptura da cadeia (o item identificado na etapa 1 e perdido na etapa 3 quebra o caminho, e ela só é tão boa quanto o elo mais fraco), na peça sem marca e na integração ausente, já que a leitura que não chega ao sistema de registro não rastreia nada.

O que prejudica qualquer leitura?

Impressão fraca ou manchada, falta de contraste com a superfície, reflexo e movimento do produto durante a captura. Boa parte das falhas de leitura vem da impressão, e não da câmera. Medir a taxa de leitura com o produto real, na velocidade da linha, é o que mostra se a leitura é confiável, e a falha de leitura pode apontar o problema na impressora antes de o produto sair.

Perguntas frequentes

Como ler código DataMatrix, QR Code e texto de lote na linha?

Uma câmera fixa, com iluminação adequada, captura o código ou o texto no momento em que o produto passa. O software decodifica o código ou lê o texto por OCR, compara com o valor esperado da ordem de produção e registra o resultado. Se a leitura falha ou não confere, o sistema sinaliza ou aciona a rejeição.

OCR ou código de barras: qual é mais confiável?

O código, quando existe e está bem impresso, é mais confiável, porque tem correção de erro e formato padronizado. O OCR é indicado quando só há texto, como lote e validade impressos por jato de tinta ou laser. A leitura de texto é mais sensível a falhas de impressão e a reflexos, e a taxa de leitura deve ser medida em teste.

Qual a diferença entre DataMatrix e QR Code?

Os dois são códigos bidimensionais com correção de erro. O DataMatrix cabe em áreas muito pequenas e é comum em peças e componentes; o QR Code guarda mais dados em formato maior e é comum em etiquetas e embalagens. A escolha depende do espaço disponível, da quantidade de dados e do que o cliente ou a cadeia exige.

A leitura funciona com o produto em movimento?

Sim, no ritmo da linha, desde que a câmera, a iluminação e o tempo de exposição sejam dimensionados para a velocidade do produto. Quanto mais rápida a linha, mais critério exige a escolha do equipamento, e por isso a taxa de leitura é medida com o produto, na velocidade real.

O que é rastreabilidade industrial?

É o registro do caminho de um item pelo processo: onde foi produzido, quando, com qual lote de matéria-prima e com qual resultado de inspeção. Permite localizar a origem de um defeito e restringir um recolhimento aos lotes afetados.

Qual a diferença entre rastreabilidade por lote e por unidade?

Por lote, o registro identifica o conjunto produzido nas mesmas condições. Por unidade, cada peça tem identidade própria. A escolha depende do risco do produto e do custo de marcação e de leitura.

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Leitura de códigos e OCR, testada com o seu produto

A ELVEX mede a taxa de leitura com o seu produto, na velocidade da sua linha, antes de ela valer como registro.